Vista aérea de Dom Eliseu, no Pará, com as ruas e os telhados da área urbana

História de Dom Eliseu (PA): do Quilômetro Zero à emancipação

A história de Dom Eliseu começa com uma estrada, e não com uma fundação oficial. Antes de ser cidade, o lugar era um ponto de encontro de trabalhadores que abriam a BR-222, no sudeste do Pará, e foi assim, por acaso, que nasceu um dos municípios que mais cresceram na região. Este texto reúne o que as fontes oficiais registram sobre a origem do povoado, o primeiro morador, as mudanças de nome, a criação do distrito e a emancipação, e aponta onde as fontes divergem.

Vista aérea de Dom Eliseu, no Pará, com as ruas e os telhados da área urbana

Foto: Antonio José Areia Ramos, licença CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons.

O Quilômetro Zero: onde tudo começou

A Fapespa, fundação de estatística do governo do Pará, registra que a origem de Dom Eliseu está ligada a Paragominas. O local era um povoado daquele município e, até 1967, ficou conhecido como “Quilômetro Zero”. O nome tem uma explicação simples: ali era o início da BR-222, antiga PA-70, estrada que sai da BR-010, a Belém–Brasília, e segue em direção a Marabá.

Esse detalhe geográfico explica boa parte do que veio depois. Quem viaja pela BR-010 e quer chegar a Marabá deixa a Belém–Brasília exatamente ali. O povoado nasceu, portanto, num entroncamento, e entroncamentos de rodovias costumam atrair comércio, serviços e gente em trânsito. Mais de meio século depois, a posição continua definindo a cidade: veja como chegar a Dom Eliseu e como as duas rodovias organizam o acesso.

Leopoldo da Cunha e o primeiro restaurante

A ocupação da área começou na década de 1960, durante a abertura da BR-222. O primeiro morador foi Leopoldo da Cunha, natural de Belém, que chegou ao local em 1961 como trabalhador da empresa responsável pela obra, segundo a Fapespa. A monografia do IBGE sobre o município acrescenta que, quando a obra foi interrompida, ele permaneceu no lugar, mandou buscar a família e abriu um restaurante para atender quem passava pela estrada.

O restaurante teve um papel que vai além da comida. Numa região ainda sem cidade, ele servia de ponto de parada e de referência, e acabou atraindo outras famílias para o entorno. É um padrão conhecido na ocupação da Amazônia ao longo de rodovias: primeiro a estrada, depois o ponto de apoio, depois o povoado. Em Dom Eliseu, o ponto de apoio foi uma cozinha à beira da pista.

De Quilômetro Zero a Vila Filinto Muller

Depois de 1967, o povoado deixou de ser chamado de Quilômetro Zero e passou a se chamar Filinto Muller, nome de um político da época. A Fapespa registra a mudança sem data exata, e o IBGE aponta 1967 como o ano em que o lugar passou a ser Vila Filinto Muller. Algumas publicações populares, porém, situam a troca de nome em 1973. Como as fontes oficiais citadas aqui apontam 1967, esse é o ano usado neste texto, mas vale lembrar que a diferença existe.

Nessa fase o lugar ainda era uma vila subordinada a Paragominas, cuja sede fica a 162 km, distância citada pela Fapespa. A informação é central para entender o que aconteceu em seguida: a vila crescia depressa, e a sede do município ficava longe demais para acompanhar esse ritmo.

A madeira e a migração dos anos 1970

A década de 1970 trouxe a primeira indústria madeireira da vila, segundo o IBGE. A extração de madeira dominou a economia local por cerca de duas décadas, e as serrarias empregavam muita gente. Os números da RAIS, o cadastro oficial de empregos formais, ajudam a medir esse peso: em 2003 e 2004, a indústria de transformação do município chegou a registrar 1.221 e 1.907 vínculos de emprego, e em 2023 eram 462.

Além da madeira, havia um segundo atrativo. A Fapespa afirma que a perspectiva de conseguir terras férteis e acessíveis incentivou um grande processo migratório, e que a localização no entroncamento da BR-010 com a BR-222 contribuiu para o rápido crescimento. Famílias vindas de diferentes regiões do país chegaram a Dom Eliseu, o que também explica por que a própria Fapespa diz que a população é formada por grupos humanos diversos e que o município ainda não apresentava, no texto, traços próprios de uma cultura popular única.

O distrito de Dom Eliseu e a origem do nome

O passo seguinte foi administrativo. Segundo o IBGE, a Lei Estadual nº 5.087, de 14 de setembro de 1983, criou o distrito com a denominação de Dom Eliseu, ainda subordinado a Paragominas. Foi nesse momento que o nome atual apareceu.

A Fapespa explica a homenagem: o nome foi sugerido pelo deputado federal Fausto Fernandes, em homenagem ao bispo Dom Eliseu Corolli, da diocese de Bragança. A grafia do sobrenome varia entre as publicações, aparecendo como Corolli ou Coroli. Não encontramos, nas fontes oficiais consultadas, uma biografia detalhada do bispo, por isso este texto se limita ao que elas afirmam.

A emancipação em 1988 e a instalação em 1989

O crescimento praticamente autônomo da vila, somado à distância de 162 km até Paragominas e às dificuldades financeiras daquele município para atender o povoado, alimentou o desejo de independência. A Fapespa descreve esse processo como o surgimento de um sentimento de liberdade entre os moradores.

Esse sentimento virou lei em 10 de maio de 1988. A Lei Estadual nº 5.450 elevou Dom Eliseu à categoria de município, desmembrado de Paragominas, e foi sancionada pelo governador Hélio da Mota Gueiros. A instalação ocorreu em 1º de janeiro de 1989, com a posse do primeiro prefeito eleito, Antônio Jesus de Oliveira. Ou seja, em menos de três décadas o lugar passou de ponto de parada numa obra a município com governo próprio.

Os núcleos que compõem o município

Dom Eliseu é formado apenas pelo distrito-sede, mas tem outros núcleos urbanos importantes, segundo a Fapespa. Um deles é Bela Vista, conhecida como Itinga do Pará, na divisa com o Maranhão. Outro é a vila Ligação do Pará, na divisa com Paragominas. Há ainda a vila Palestina, no km 70 da BR-222, e a vila Nazaré, numa estrada vicinal à altura do km 25 da BR-222.

A localização desses núcleos mostra, mais uma vez, o peso das estradas. Quase todos nasceram ou se desenvolveram em torno da BR-222 ou de uma divisa, e o território de 5.268,81 km² inclui trechos de floresta, áreas de lavoura e pastagens que ajudam a explicar a economia atual, tema do texto economia de Dom Eliseu.

Como a população cresceu

Os números do IBGE reunidos pela Fapespa contam essa história em escala. Em 2000, o município tinha 39.529 habitantes. Em 2010, o Censo contou 51.319. Em 2022, o Censo registrou 58.484 moradores, com densidade de 11,1 habitantes por km².

Há também uma mudança importante na distribuição. Em 2010, 32.516 pessoas moravam na área urbana e 18.803 na rural. Em 2022, a área urbana somava 49.321 moradores e a rural, 9.163. A cidade, que nasceu como ponto de beira de estrada, hoje concentra a grande maioria da população, o que ajuda a explicar a variedade de comércios e serviços que o guia comercial de Dom Eliseu reúne.

Tradições e calendário

Segundo a Fapespa, a padroeira do município é Nossa Senhora Aparecida, e a festividade ocorre de 5 a 12 de outubro, com missa, procissão e arraial, onde há leilões, venda de comidas típicas e bingos. A mesma fonte descreve uma programação cultural estimulada pela Prefeitura desde 1990: Festival Regional de Música Popular em março, programação pelo aniversário do município em maio, concursos em junho, Semana da Cultura em julho e vaquejada em agosto. Como a publicação é anterior a este texto, confirme as datas atuais com a Prefeitura antes de planejar a visita.

Quem quer conhecer a cidade de hoje pode começar pela página onde ir em Dom Eliseu, que reúne festas, a Feira Agropecuária, o Mercado Municipal e opções de alimentação e hospedagem.

O que a história ajuda a entender

Olhar para trás explica por que Dom Eliseu é do jeito que é. A cidade tem fôlego de comércio e de serviços porque nasceu como parada de estrada. Tem população diversa porque atraiu migrantes de várias regiões. Tem uma economia que migrou da madeira para a soja, a pecuária e o comércio, e tem um calendário em que festa religiosa, evento rural e aniversário de emancipação ocupam espaços diferentes do ano.

Por fim, a história é recente. A emancipação completou mais de três décadas, e ainda há moradores que viveram a época do Quilômetro Zero. É uma cidade em que boa parte da memória ainda está na voz de quem chegou primeiro, o que torna o registro escrito, como o do IBGE e o da Fapespa, ainda mais valioso.

Perguntas frequentes

Quando Dom Eliseu foi fundada?

As fontes oficiais não indicam uma data de fundação única. A ocupação começou em 1961, quando chegou o primeiro morador, o povoado era chamado de Quilômetro Zero até 1967, o distrito foi criado em 14 de setembro de 1983 e o município, em 10 de maio de 1988. A instalação ocorreu em 1º de janeiro de 1989.

Por que a cidade se chama Dom Eliseu?

Segundo a Fapespa, o nome foi sugerido pelo deputado federal Fausto Fernandes, em homenagem ao bispo Dom Eliseu Corolli, da diocese de Bragança, quando o povoado foi elevado a distrito.

De qual município Dom Eliseu foi desmembrada?

De Paragominas. Dom Eliseu foi povoado e depois distrito de Paragominas até a emancipação política, em 1988.

Quem foi o primeiro morador de Dom Eliseu?

Leopoldo da Cunha, natural de Belém, que chegou ao local em 1961 como trabalhador da empresa que abria a BR-222, segundo a Fapespa. O IBGE acrescenta que ele abriu um restaurante que atraiu outras famílias.

Quantos habitantes Dom Eliseu tem?

O Censo 2022 do IBGE contou 58.484 moradores, dos quais 49.321 na área urbana.

Fontes consultadas

Redação Guia Dom Eliseu

Escrito por Redação Guia Dom Eliseu

Equipe do Guia Dom Eliseu, guia comercial de Dom Eliseu, no sudeste do Pará. Organiza por categoria os comércios e serviços da cidade a partir das fichas públicas do Google Maps, com revisão própria de endereço, contato e categoria, e escreve os textos de cada página com dados de fontes como IBGE, Fapespa e Detran.

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